Linha 17 Metrô

Obras da Linha 17 Ouro do trecho da Estação Paraisópolis não serão iniciadas nessa gestão

Trecho do monotrilho da Linha 17 Ouro até a Estação Paraisópoli
Ilustração Linha 17 Ouro na Avenida Perimetral (Metrô)

Em audiência pública na Prefeitura do M’Boi Mirim ontem sobre a extensão da Linha 5 Lilás, o Secretário Alexandre Baldy respondeu algumas questões trazidas pela população. Uma delas foi o monotrilho da Linha 17 Ouro e a Estação Paraisópolis.

Quero responder também, reiterando a transparência do Governo João Doria, a respeito da Linha 17 Ouro, o monotrilho que chegaria e passaria pela comunidade Paraisópolis. Vereador Milton Leite, nós não vamos enganar a população. Não é possível nesse governo nós iniciarmos essa obra. Nós não vamos mentir para ninguém. Nós vamos ser sinceros, transparentes e objetivos. Qual é o nosso desejo? Acabar aquela obra que está iniciada e que hoje está paralisada. Nós queremos acabar a Linha 17 Ouro, que é uma obra do monotrilho que é motivo de vergonha para o setor público. De não ter sido concluída até hoje. Nós provavelmente não iniciaremos a obra de extensão, que vai atender, ou que iria atender a comunidade Paraisópolis. A senhora nos desculpe mas eu não vou enganar a população. O Governador João Doria disse claramente. O que é possível fazer, nós vamos fazer. E o que não for possível fazer, nós vamos ser claros. Ser transparentes e dizer: ‘nós não iremos fazer’.

Ele respondeu também sobre moradia popular, pois foi questionado na audiência sobre fazer obras e não disponibilizar moradias.

Confira vídeo completo em que o Secretário Alexandre Baldy também cita a Linha 5 Lilás e a Linha 9 Esmeralda:

Estação Paraisópolis

Para quem não lembra a Linha 17 Ouro foi anunciada em 2009 com, início previsto em 2010, como uma linha de monotrilho ligando Paraisópolis até Jabaquara, dividida em 3 trechos. Mas em 2015 os trechos entre a Estação Morumbi (exclusive) e a Estação Paraisópolis, e a Estação Jardim Aeroporto (exclusive) e a Estação Jabaquara foram suspensos.

Posteriormente houve uma disputa na justiça com o Consórcio Monotrilho Integração que vinha ocorrendo desde 2015, que finalmente tivemos uma solução agora em 2019, com o anúncio da rescisão unilateral do contrato e posteriormente a assinatura da rescisão.

Avenida Perimetral e a Prefeitura de SP

Um dos fatores, na minha opinião que, teve um impacto enorme para inviabilizar a construção da Linha 17 Ouro até Paraisópolis foi o fato da Prefeitura de São Paulo ter prometido que deixaria um canteiro central na então nova Avenida Perimetral mas acabou não fazendo.

Projeto da Avenida Perimetral (Metrô)

O projeto da Avenida Perimetral foi idealizado pela Prefeitura Municipal de São Paulo com o intuito de promover uma nova via de acesso do bairro do Morumbi à Marginal Pinheiros, descongestionando o trânsito das duas alternativas atualmente saturadas, que são as avenidas Giovani Gronchi e Morumbi. Além disso, este projeto se integra a um programa de urbanização da favela de Paraisópolis, também de responsabilidade da Prefeitura de São Paulo. A execução do trecho desta avenida compreendido entre a Rua Viriato Correia e a Praça Roberto Gomes Pedrosa será uma atribuição do Metrô. Com o intuito de integrar a Via Perimetral ao sistema monotrilho, a nova avenida terá mão dupla, com duas faixas por sentido e um canteiro central de 2 metros, dimensão necessária à implantação dos pilares de sustentação da via elevada do monotrilho

Notem Avenida Hebe Camargo (Perimetral) construída sem o canteiro central:

Trecho até a Estação Paraisópolis do monotrilho da Linha 17 Ouro
Avenida Hebe Camargo (Perimetral)

Moradores contra

Além da avenida perimetral, moradores da região foram contrários ao monotrilho – uma campanha bem orquestrada.

No final de 2010, 5 anos antes da decisão de suspender o trecho, a moradores da região, mais especificamente da Vila Inah foram até à justiça para impedir a construção do monotrilho, quando em setembro de 2010 o Metrô anunciou o local para desapropriação. Eles alegaram um estudo de impacto ambiental na região não havia sido feito pelo Metrô, ou seja, supostamente não sabia os prejuízos que poderiam ser causados com a obra.

A Justiça concedeu uma liminar e a obra não começou. Posteriormente Metrô recorreu uma primeira vez, mas perdeu. Na segunda, apresentou as licenças ambientais. Foi quando a Justiça autorizou a obra, mas o ano já era 2012. E a promessa para entregar para a Copa Mundial de 2014 estava comprometida.

Outro caso que causou bastante repercussão foi o fato do Cemitério, que coincidentemente foi logo depois dos moradores da Vila Inah perderem a ação.

Para o jornal Folha de São Paulo, em setembro de 2012, a administração do cemitério informou que foi previamente consultada pelo Metrô e que “fará o que estiver ao seu alcance” para que o trajeto seja alterado em “respeito a um campo santo”.

Em janeiro de 2015, a administração do Cemitério do Morumby conseguiu suspender a desapropriação de parte do terreno para as obras.

Em maio de 2015, “Direito dos vivos” fez o Tribunal de Justiça liberar as obras:

O desembargador relator do caso, disse: “trata-se de deixar de privilegiar a indiscutível necessidade de paz e privacidade de alguns em prol de um avanço no oferecimento de condições básicas de vida digna a um vasto contingente de cidadãos”.

Mas já era tarde, em agosto de 2015 o Governo de São Paulo anunciou o congelamento dos trechos da Estação Paraisópolis e Estação Jabaquara por falta de recursos.

5 anos perdidos em disputas judiciais, lamentável.

Conclusão

O Governo também quis fazer muita coisa ao mesmo tempo. Seria o mundo ideal ter várias obras em andamento? Sim, mas depender de arrecadação futura, é complicado.

Temos que rever o modo de financiamento do transporte de alta capacidade.

PS: Todo mundo quer Metrô mas ninguém quer Metrô na porta. Exceto quando a obra já está pronta.

“Parabéns” aos envolvidos.

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Fernando Galfo

É engenheiro por formação e entusiasta de obras de mobilidade urbana. Utiliza transporte individual na maioria das vezes mas acompanha e sabe da real e urgente necessidade de investimentos em infraestrutura e principalmente em transporte público aliadas com políticas públicas de redução da pendularidade do sistema de transportes

13 comentários

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  • A grande midia associava Prefeito/PT e governador?PSDB pra justificar a sacanagem com a Av. Hebe Camargo e o corpo mole com o condomínio de prédios licenciado na Rota de L17 que você não menciona.
    Quial a justificativa agora?!
    Esta falta de determinação de Dória terá consequências históricas: eixo da Giovanni Gronchi já “travou” a ponto de espantar moradores e empresas para outros locais, já há anos.

    • O artigo já estava grande e essa história do condomínio é longa. Quis focar mais na questão da Paraisópolis. Porque mesmo sem a Estação Estádio Morumbi, ainda poderia estender até a comunidade, se não fosse as questões descritas no artigo.

  • Ele falou algo sobre quando será anunciado o BRT do Doria na Linha 18? Ou continua fazendo jogo de cena?

    E olha que o infeliz disse que o monotrilho é uma vergonha do setor público…

    Vergonha muito maior é aquele lixo de corredor de ônibus com nome bonitinho que vão enfiar goela abaixo da população do ABC

  • Tenho que fazer justiça ao fato ocorrido na época, não sou morador da região, mas acompanhei a história e não foi bem assim que aconteceu. Está informação de que os moradores não queriam o transporte não é verídica, eles não queriam o monotrilho. Na época houve uma pressão dos moradores pela construção do modal de metrô em detrimento deste modal de monotrilho que sejamos sinceros é uma porcaria. Ainda naquela época, foram feitas reportagens e os moradores fizeram questão de deixar claro de que não eram contra a linha projetada desde que fosse uma linha de metrô. Me lembro do secretário de transportes da época dizendo que não justificaria colocar uma linha de metrô porque a previsão de demanda era inferior a 700 mil passageiros. Eu só gostaria de saber qual sistema metroviario do mundo 700 mil pessoas é pouca demanda? Só por aqui mesmo. Os moradores de Paraisópolis foram levados na lábia do governo na época, que os fez acreditarem que o monotrilho era melhor e que os moradores do Morumbi não queriam a linha por segregação, vide a polêmica que ocorreu envolvendo a estação Higienópolis na época.
    Eu sinceramente acho bem feito para estes moradores, se tivessem todos se unidos na época e lutado pelo modal de metrô, hoje mesmo que ainda estivesse paralisada, a linha seria de metrô e não este modal que de longe não é adequado para as necessidades de São Paulo.

  • Já era de se esperar quanto a não construção do monotrilho tanto em direção à São Paulo Morumbi quanto em direção ao Jabaquara( não citado na entrevista). Não é só a demora do monotrilho que é uma vergonha mas também a provável mudança do modal da linha Bronze, bem como alguns acidentes bem tortos ocorridos neste ano na linha 15 Prata. Mais vergonha ainda é a demora injustificada para finalizar as estações da linha Prata entre Vila União e São Mateus( Por que só no fim do ano ou, mais precisamente, no ano que vem? A culpa é só da outra administração, como Doria ama dizer, ou esta também tem culpa pela morosidade e por só buscar alegações e nada de resolver?); mais vergonha é adiar tanto uma solução para as linhas 6 Laranja e 2 Verde, e agora inventarem expansão de linha Lilás. Não é mais viável findar primeiramente as linhas que estão em andamento para, posteriormente, executar novas obras? João Doria, a população não quer discursos bonitos, mas sim ações; Alexandre Baldy, um profissional tem de ter competência e trabalhar e não passar o tempo inteiro só alegando.

    • sobre as estacoes ,jardim planalto ,sapopemba ,fazenda da juta e sao matheus , restam poucos trabalho , pois o governo esta arrastando para inaugurar ano que vem , por motivos politicos , 2020 e ano de eleicao municipal e o prefeito do mesmo partido esta fazendo uma pessima administracao, e esse inauguracao sera usado na sua campanha de reeleicao .

  • Uma vez que que a empresa Scomi faliu, porque desta insistência em se usar um monotrilho na Linha 17-Ouro, que possui uma configuração única para cada fabricante, significando que só ele fabrica na sua configuração, se especificar BYD, Bombardier ou outros, só poderá ser exclusivo cativo deste fornecedor?

    Destas conclusões entendo que a especificação do modelo nacional Aerotrem ou “Aeromovel” da Coester / Siemens que é uma espécie de VLT-Veiculo Leve sobre Trilhos elevado, iguais aos adotados
    no aeroporto de Guarulhos, pois utiliza rodeiros iguais sobre trilhos da aço além de chaveamento de mudança de vias mais simples, tratando-se de um trem mais estável que oscila menos ao trafegar que um “Monotrilho” ou “People Mover”, iguais as linhas de trens e Metrôs seja o mais indicado, não significando que se tenha que adquirir deste fabricante de referência.

  • Olá, estamos realizando um trabalho de conclusão de curso da área técnica de edificações sobre a linha 17-ouro do monotrilho e gostaríamos de entrar em contato.

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error: Hum, não vale copiar né??