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Clodoaldo Pelissioni resume sua gestão à frente da STM

Secretário Clodoaldo Pelissioni

Em entrevista exclusiva hoje ao site Ferroviando, o atual Secretário Estadual dos Transportes Metropolitanos Clodoaldo Pelissioni fez um resumo de sua gestão na STM que iniciou em 2015 e que encerra no final desse mês.

Confira a Parte 1 da entrevista:

Resumidamente qual o papel do secretário dos transportes?

A Secretaria coordena a política de transportes metropolitanos de uma maneira geral. Tem um papel de intermediação das empresas com o governo. Intermediação financeira, questões orçamentárias, contingenciamento. Hoje mesmo vou terminar minha gestão em reunião com o secretário do planejamento. É um trabalho constante de intermediação. Tem a questão de financiamento e órgãos financiadores: banco mundial, BID, BNDES, PAC, Caixa Econômica no caso da Linha 9 da CPTM. Temos que apoiar todos para que tudo ocorra dentro dos conformes. Tem também atendimento a demandas da Assembleia Legislativa (requerimentos de informações). Tem também todo um trabalho com as concessionárias como SABESP, Eletropaulo, empresas de telefonia. Tem toda uma burocracia que algumas coisas demoram um mês para ter retorno. Tem a intermediação com a Secretaria da Fazenda e a do Planejamento e outros órgãos externos e o acompanhamento das obras. Enfim, coordenar as ações para ter homogeneidade nas empresas sob a STM.

Como você resumiria sua gestão?

O Governo de São Paulo em 8 anos (desde 2011) investiu R$ 35 bilhões. Na minha gestão investimos R$ 17.4 bilhões. O investimento do Governo Federal – a fundo perdido – é por volta de R$ 1 bilhão/ano para o Brasil inteiro. Acredito que São Paulo dá o exemplo para o Brasil de como tratar a mobilidade. Quando chegamos, existiam 8 grandes obras e muitos problemas. Tivemos que fazer rescisões de contratos, novas licitações, licitações complementares, concluir projetos – havia alguns projetos sem conclusão. Tivemos também que rescindir contratos e fazer remanejamentos.

Esse remanejamos de recursos financeiros entre linhas foi necessário dado a situação crítica da economia. Tivemos um desafio de queda de PIB de quase 9%. Crise das empreiteiras motivada pela Operação Lava Jato assim elas tiveram muita dificuldade de executar as obras no prazo, pois não havia financiamento. Nós fizemos esse trabalho principalmente no primeiro ano e iniciamos a execução no segundo ano, assim para que no início de 2017 conseguíssemos entregar as obras. Gostaríamos de ter entregue mais.

Entregamos 3 estações da Linha 13 Jade. Mesmo com o ônibus que faz o translado o ganho de tempo e a economia é bem expressiva. Eu mesmo utilizei para uma viagem ao exterior. Com 4 reais e um percurso de 1 hora e 20 minutos eu estava dentro do aeroporto.  Na volta demorei muito mais e paguei 10 vezes mais usando transporte por aplicativo.

Também foram entregues 9 estações da nossa grande obra, a Linha 5 Lilás. A décima estação, Campo Belo será entregue em março. Na Linha 4 foram 3 estações: Higienópolis-Mackenzie, Oscar Freire e São Paulo Morumbi. Na Linha 15 foram quatro estações. Somadas todas, são 19 estações na grande São Paulo, foram 31 quilômetros na rede metroferroviária. Se somarmos os 11 km do VLT de Santos e São Vicente, temos 42 km de novos trilhos. Investimento de R$ 17 bilhões. Só de novos trens foram 148 trens novos rodando em São Paulo. É um número bastante expressivo. Evidente que gostaria de pode ter entregue todas as estações da Linha 4, pois tivemos problemas com a empresa espanhola e assim relicitar. Alem de problemas de garantia, atestado das empresas e tribunais de conta. Evidente que se tivéssemos uma empresa realizando bem a obra, Vila Sônia poderia ter sido entregue. Campo Belo foi por pouco também.

O Metrô é pouco reconhecido pelo que faz pela cidade. Entregamos um viaduto de 350m de comprimento, que nada tem a ver com o Metrô. Foi uma contrapartida com a Prefeitura em que investimos R$ 40 milhões. Assim eliminaremos o cruzamento da Av. Santo Amaro com a Av. Roberto Marinho. 

Tem também um novo terminal de ônibus da Estação São Paulo Morumbi. As pessoas que vem de Taboão e da Raposo não precisarão mais se dirigir a estação Butantã. Ganha um tempo utilizando o Metrô.

Sobre a Linha 15, nós tentamos de todo jeito que a empresa finalizasse as obras do trecho até São Mateus. Mas não teve jeito, tivemos que rescindir o contrato. Republicamos ontem a licitação. Infelizmente com isso teremos 1 ano a mais de atraso. Era para ter sido entregue em abril o trecho.

Na Linha 17 a novidade é que a Scomi desistiu do contrato. O consórcio encontrou uma empresa chamada BYD (Build Your Dreams), especializada em semicondutores. A segunda maior empresa produtora de celulares do mundo. Ela está trabalhando com monotrilhos há algum tempo na China. Ganhou o contrato para fazer o VLT de Salvador e vai fornecer os trens. Entre 60 a 90 dias será fechada a entrada dela no consórcio. A ideia é que ela vai produzir os trens da Linha 17 e vai trazer a empresa que fará a sinalização.

E a compatibilidade dos trens?

É sim possível colocar o trem lá, o modelo é muito semelhante. É uma solução para um problema que estávamos muito preocupados. 

E os supostos trens já fabricados? Foi filmado um na Malásia…

Não tem trens prontos. O que tem é uma “caixa”.

Estamos finalizando também U$ 294 milhões da CAF (antiga Corporação Andina de Fomento) para a Linha 17 Ouro que gostou muito do monotrilho da Linha 15 Prata.

A Estação Vila Sônia da linha 4 está prevista para 2020. A obra está indo muito bem.

A Linha 9 da CPTM já iniciamos 7 contratos. O bom que o ex-ministro do ministério das cidades, Alexandre Baldy, será o próximo Secretário dos Transportes. Ele ajudou nesse processo da Linha 9 e agora com seu sucessor poderá acelerar os trâmites. Com isso a extensão da Linha 9 até Varginha no mais tardar em 2020 poderá estar inaugurada.

E o que você teria feito diferente?

Eu peguei algumas coisas já em andamento. Mas eu continuo com minha tese de não contratar obra pública sem projeto executivo. Não fiz nenhuma contratação sem projeto executivo na STM. A terceira etapa do VLT de Santos sairá com projeto executivo. Assim você administra a obra de uma maneira que se tiver imprevisto, cabe os 25% previstos na lei 8.666 para aditivos de contratos. Quando você contrata a obra somente com o projeto básico, corre o risco disso não acontecer por uma série de problemas e imprevistos que podem acontecer durante a execução da obra.

Eu não teria colocado também a Linha 9 no financiamento do PAC, pois já era uma obra iniciada. Eles tem uma nova metodologia que atrasou muito. Um obra que não era tão custosa, mas fomos orientados a pegar o dinheiro do PAC e com isso atrasou 4 anos. Uma burocracia que não tem limite. Enfim, eu não faria isso.

E a Linha 6 Laranja?

Nós tentamos de todas as maneiras. Tivemos dois interessados no consórcio MoveSP mas desistiram. A partir da desistência iniciamos o processo de rescisão. Conseguimos com que o governador atual assinasse a caducidade a tempo. Demos já início ao processo da nova modelagem.

O Governador eleito disse que possa ter interessados. Mas eu pessoalmente não acredito que possam haver. O consórcio tem R$ 260 milhões em multas. O problema é que com os atrasos das obras, eles vão receber atrasado e também o início da operação comercial atrasou. Se as obras realmente foram retomadas em 2019, eles vão ficar de 4 a 6 anos com tarifa congelada e sem receber contraprestação? Será que vão aguentar? Quem vai comprar isso da Odebrecht, UTC e Queiroz Galvão? Os estrangeiros que eu atendi aqui não compraram.

Mas não seria o melhor caminho?

A conta não fecha. Ninguém quer rasgar dinheiro. Mas sim, seria o melhor caminho, mas existe um problema de números. Não posso relevar as multas. Portanto eu não acredito. Inclusive já demos a ordem de serviço para FIPE fazer a nova modelagem. O que o próximo governo pode fazer é tentar os dois caminhos ao mesmo tempo para ganhar tempo.

Eu talvez tivesse feito a caducidade antes. Podia ter relicitado a obra antes, mas é complicado, tinha ainda a última tentativa dos chineses que realmente queriam assumir o consórcio.

Fernando Galfo

É engenheiro por formação e entusiasta de obras de mobilidade urbana. Utiliza transporte individual na maioria das vezes mas acompanha e sabe da real e urgente necessidade de investimentos em infraestrutura e principalmente em transporte público aliadas com políticas públicas de redução da pendularidade do sistema de transportes

3 comentários

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  • Eu perguntaria:

    Quando os trilhos chegarão efetivamente ao aeroporto de Guarulhos?

    Por que não temos VLT no centro de São Paulo?

    Por que não há onde sentar nas estações do metrô que disponibilizam sinal de wi-fi?

    Não seria melhor dotar a estação CPTM Santo Amaro de um elevador para bicicletas em vez daquelas rampas conflitantes com a premiada arquitetura da estação?

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error: Hum, não vale copiar né??