Linha 5 Metrô

Alternativa à passarela da Estação Brooklin da Linha 5 está sendo estudada

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Ilustração da passarela da Estação Brooklin (GPO Sistran Engenharia)

Inaugurada há pouco mais de um ano, a Estação Brooklin tinha no projeto básico uma passarela para acesso a parada Santo Amaro do corredor metropolitano ABD, mas a construção foi descartada no projeto executivo.

Na Estação entram diariamente 12 mil pessoas, sendo que muitas delas vem do corredor da EMTU e precisam atravessar a Avenida Roque Petroni Junior. Quem está no corredor da Avenida Santo Amaro da SPTrans tem como opção o acesso secundário da estação.

Hoje a faixa de pedestre fica saturada com alguns passageiros até invadindo a Av. Santo Amaro para poderem atravessar em direção a Estação.

No projeto original a passarela adentrava a cúpula da estação. Pela ilustração abaixo podemos ver que ela teria um acesso tanto pelo elevador – que existe hoje – quanto por escadas fixas no nível térreo.

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Projeto da Estação Brooklin (GPO Sistran Engenharia)

Veja como está a estação atualmente:

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Estação Brooklin (GESP)

Justificativas

Pela lei de acesso a informação (LAI) questionamos o Metrô do porque que a passarela não foi construída e recebemos uma longa resposta:

“No desenvolvimento do projeto executivo, foram reavaliadas as dificuldades existentes para a implantação da passarela conforme o projeto básico.

Além da necessidade de remanejamento de redes de utilidades públicas, em especial do coletor tronco de esgoto de 1,00 m de diâmetro, seria preciso remover árvores e realocar provisoriamente a parada de ônibus existente no canteiro central da Av. Roque Petroni Junior.

Para o estudo de realocação provisória da parada de ônibus foram consultadas as empresas gerenciadoras dos sistemas de ônibus municipal (SPTrans) e intermunicipal (EMTU), que manifestaram que a passarela quando implantada poderia prejudicar a operação do Corredor de Ônibus Metropolitano.

Frente às dificuldades citadas, optou-se por não implantar, no momento, a passarela conforme prevista, e estudar uma nova solução para esse acesso”

Perguntamos também sobre a saturação da faixa de pedestre e o risco de acidentes:

“Inicialmente, mesmo com a integração da Linha 5 – Lilás com a Linha 1 – Azul e Linha 2 – Verde, a faixa de pedestres existente deverá atender a demanda  prevista. Existe plano para implantar o acesso quando se fizer necessário. Para tanto, está sendo estudada uma nova solução que supere as dificuldades encontradas, ajustada ao projeto da estação já implantada.”

Veja a foto que tiramos agora pouco da parada Santo Amaro em frente a Estação Brooklin:

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Parada Santo Amaro – corredor ABD (Fernando Galfo)

Como a Via Mobilidade quem vai operar a Estação, perguntamos se existe algo no contrato referente a passarela:

O que existe é o projeto básico da passarela, que deverá ser revista para quando for necessária a implantação desse acesso. Não está prevista em contrato, com a Via Mobilidade, a execução desse acesso

Projeto Básico

Consultamos o projeto básico e quotamos o trecho:

“Na Estação Brooklin-Campo Belo haverá a integração física da Linha 5 – Lilás com o corredor de média capacidade Diadema – Brooklin que está sendo implantado ao longo das avenidas Roque Petroni Junior e Professor Vicente Rao. Portanto será implantado um acesso pela extremidade norte das plataformas da estação para que ocorra a integração física com o referido corredor através de passarela de acesso ao ponto de parada.”

Outro detalhe importante sobre o local:

“Esta estação está projetada junto à margem oeste da Av. Santo Amaro, para que o traçado da COMPANHIA DO METRÔ não inviabilize no futuro o projeto de um viaduto sobre a Av. Vicente Rao”  – não há nada oficial hoje sobre esse viaduto mas pelo menos o Metrô sabiamente já fez o projeto preparado para o futuro.

Conclusão

Eu sinceramente não acredito que a faixa de pedestre atenderá a demanda. A questão não é de custo-benefício mas sim da segurança dos passageiros e pedestres. Por mais que a entrada da Estação Brooklin seja espetacular a passarela ainda sim é necessária. Claro que pode-se aumentar o tempo do farol mas seria uma solução paliativa.

A integração física também garante uma melhor experiência do passageiro, conforto e abrigo contra intempéries, tais como vento e chuva. Apesar de alguns preferirem se arriscar entre os automóveis e os ônibus, o ganho da passarela não é somente no tempo de travessia, mas num caminho seguro. A opção final é sempre do pedestre mas o que não pode é deixar o pedestre sem opção.

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Fernando Galfo

É engenheiro por formação e entusiasta de obras de mobilidade urbana. Utiliza transporte individual na maioria das vezes mas acompanha e sabe da real e urgente necessidade de investimentos em infraestrutura e principalmente em transporte público aliadas com políticas públicas de redução da pendularidade do sistema de transportes

3 comentários

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  • O óbvio: o ideal para o sistema metroviário é haver túneis de pedestres em várias direções para o acesso às estações. Na Europa, particularmente, caminhar por longos minutos em túneis mais ou menos estreitos para acessar o saguão de catracas ou as plataformas é muito comum. O conforto e a segurança dos usuários agradece.

    No Brasil, por algum motivo obscuro, o acesso dos pedestres às estações vem sendo neglicenciado completamente.

    É o caso da maioria das estações da Linha 9 Esmeralda da CPTM, por exemplo.

    Além da falta de passarelas ligando as estações (cabíveis) com a margem esquerda do rio Pinheiros (imagina que iriam gastar tanto com reles pedestres que andam de trem…), a integração das ruas da margem direita com as estações é quase sempre ridícula. Na Estação Vila Olímpia, por exemplo, os usuários têm de encarar passeios estreitíssimos em ruas repletas de automóveis (trafegando e estacionados) para chegar à porta da estação. O natural seria haver calçadões ou, melhor ainda, túneis de pedestres nos dois lados da Rua Funchal acessando a estação pelo subterrâneo.

    Na moderníssima Linha 4 Amarela do Metrô os acessos também são poucos e ruins. Na Estação Oscar Freire, ao que parece, a concessionária está enrolando para abrir um deles…

    Um absurdo, que demonstra a falta, na realidade, de prioridade ao pedestre (que é quem usa o transporte coletivo).

    Por fim, não pode construir a passarela por conta de um cano de esgoto????? Então não existem ‘n’ soluções de engenharia capazes de contornar, nas fundações dos pilares da passarela (uma estrutura leve, diga-se), o tal cano? É muita cara de pau…

  • Tem mais uma coisa sobre a estação: há um espaço grande que foi ocupado pelos alojamentos dos operários durante a construção e até hoje está sendo subutilizado como estacionamento exclusivo para poucos funcionários do metrô.

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error: Hum, não vale copiar né??